Como introduzir alimentos aos bebês? As dicas para iniciar a dieta dos pequenos

Ao contrário do que todo mundo pensa, o mais indicado é introduzir alimentos salgados (verduras e legumes) para depois introduzir as frutas
Ao contrário do que todo mundo pensa, o mais indicado é introduzir alimentos salgados (verduras e legumes) para depois introduzir as frutas
Luciana Novaes

Consultor:

Luciana Novaes

Nutricionista mestre em Saúde Pública pela FIOCRUZ com especialização em Saúde Materna e Infantil e Nutrição Clínica e Estética pelo IPGS

Quem é mãe de primeira viagem costuma ficar na dúvida sobre como introduzir a alimentação ao bebê. Afinal, nos 6 primeiros meses, a recomendação médica é alimentar o neném apenas com o leite materno e, após esse período, introduzir aos poucos os legumes, verduras, frutas e outros grupos alimentares. Para aprender mais sobre o assunto, nós conversamos com a nutricionista Luciana Novaes, especializada em saúde materna e infantil. Ela explicou a forma certa de introduzir a alimentação aos bebês e deu dicas incríveis. Confira!

É importante que a criança coma um pouco de todos os grupos alimentares (exceto açúcares e industrializados)

A alimentação dos bebês não precisa ser muito restrita, sabia? Fora os alimentos que são realmente prejudiciais ao organismo (açúcar refinado, industrializados e congelados, por exemplo), todos os grupos alimentares podem estar presentes na dieta do bebê. De acordo com a nutricionista Luciana Novaes, é muito importante, inclusive, que a criança consuma um pouquinho de todos os nutrientes essenciais para o seu crescimento.

"A alimentação deve começar por todos os grupos de alimentos. É importante que a criança coma uma porção de cada grupo, para ter o necessário de todos os nutrientes indispensáveis ao seu crescimento e desenvolvimento. Vou dar alguns exemplos: cereais (arroz, mandioca, batata ou inhame), leguminosas (feijão, grão de bico, ervilha ou lentilha), carnes (carne de boi, frango, ovo ou peixe), verduras (alface, espinafre, couve, bertalha), legumes (cenoura, chuchu, beterraba) e frutas (laranja, maçã, banana ou melancia)", conta a profissional.

É importante introduzir primeiro alimentos salgados e depois as frutas como sobremesa

Muita gente tem o hábito de iniciar a alimentação do bebê com alguma fruta (banana, manga, maçã etc.). No entanto, de acordo com a nutricionista, isso acaba sendo um erro, pois as frutas têm um sabor mais adocicado. Ou seja, o bebê pode ficar "mal acostumado" e, neste caso, até mesmo rejeitar alimentos salgados (legumes e verduras).

"Um grande erro é começar pela fruta, que tem um paladar mais adocicado e próximo do leite, o que normalmente já atrai a criança, para depois dar a comida, que tem um paladar mais neutro para o salgado, diferente do que o bebê está acostumado. O correto é começar com o almoço e oferecer a fruta como uma sobremesa ou lanche da tarde. A partir da aceitação da comida, essa fruta até pode entrar como lanche da manhã", explica Luciana.

Comece oferecendo alimentos amassados e de forma separada, para que o bebê identifique sabores e texturas

De acordo com Luciana, outro ponto importante é montar refeições com alimentos amassados, oferecendo-os de forma separada. Assim o bebê consegue identificar melhor sabores e texturas:

"Após a entrada do almoço, em torno de dias ou no próximo mês se faz a entrada do jantar. No início, a preparação deve ser amassada, mas não deve ser misturada. Cada alimento deve estar separado no pratinho e ser dado separadamente, para que a criança note a diferença de sabor e textura dos alimentos. Nunca deve ser batido em liquidificador ou passado em peneira. Isso dificulta o aprendizado e retira o estímulo à mastigação, que é importante para o desenvolvimento oral, da saída dos dentes e da fala", acrescenta a nutricionista.

Além disso, é importante que você tenha cuidado ao introduzir alimentos sólidos (em pedaços maiores) para que a criança não se engasgue. De acordo com a nutricionista, esse processo de transição deve ser feito aos poucos e com bastante atenção.

"É necessário que seja gradual, porque a criança ainda estará em desenvolvimento: surgimento dos dentes, controle da língua na boca, controle do reflexo de engasgo e de engolir. Se a criança recebe tudo batido, ela não desenvolve esses reflexos e atrasa a saída dos dentinhos. Se ela recebe grandes pedaços, também não conseguirá mastigar e engolir, levando a ter estranhamento ou aversão à comida. Ou seja, tudo tem seu tempo certo!", complementa.

Sabia que é importante deixar a criança tocar e ter contato direto com a comida?

Para que a criança aprenda mais sobre os alimentos que consome, outra boa recomendação é permitir que ela entre em contato direto com a comida (pegue os legumes com a mão, cheire, aperte, experimente e por aí vai). De acordo com Luciana, esse processo faz parte da experiência. "Deixar a criança ter contato com o alimento é necessário para que ela, de forma lúdica, reconheça as diferentes texturas e seja estimulada a ter um contato maior com uma alimentação natural. Mas isso deve ser feito em alguns momentos, intercalando com outros com refeições usando pratos e colheres", explica a nutricionista.

Vale destacar que é importante ter paciência nesse processo de introdução alimentar aos bebês, ok? A nutricionista Luciana explica que é normal a criança brincar e fazer bagunça com a comida. Isso faz parte e, com o tempo, ela vai evoluir neste processo.

"Os pais precisam perceber que a criança está em evolução e que, a cada mês, ela irá adquirir novas habilidades: segurar, fazer o movimento de pinça com os dedos, levar à boca, mastigar. No início, será normal a criança fazer muita bagunça e brincar mais com a comida do que realmente comer. Sem cobranças e com muito carinho, ela irá, aos poucos, aprender a comer e a se relacionar de forma saudável com os alimentos", finaliza Luciana.

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